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18 de março de 2011

A arte da fotografia - por Leonardo Lima

Sou um fã da fotografia e queria dar espaço aqui para poder divulgar essa arte. Não sou fotógrafo e não conheço os atalhos, não sei dos detalhes e muito menos da técnica. E por isso pedi ao Léo Lima, um fotógrafo profissional, o qual tem paixão pelo que faz, que fizesse um texto contando o que é a fotografia para ele. Não faltou paixão no discurso. Vamos a ele.

                                              "A arte da fotografia


A fotografia para mim é como se fosse uma espécie de exercício da busca de uma liberdade às vezes imaginária. É a única forma que vejo na qual consigo me satisfazer por completo. A mente e o corpo ficam em uma única sintonia, quase que comparada a um esplendoroso orgasmo sexual. É intenso, lindo, prazeroso, mágico e inspirador.

Mas o campo da fotografia é muito vasto, pode-se fazer muita coisa com essa arte mágica. Um exemplo que sempre dou mesmo que às vezes do mais tosco possível é o seguinte: Comparo a fotografia como a faca. Ela pode passar a manteiga no pão, salvar a vida de alguém ou até mesmo matá-la.
A fotografia não é VERDADE consumada, mas sim um recorte de diversas verdades, tanto para o bom quanto para o mal. Há de se ter muito cuidado com esse instrumento nas mãos.
Já as dificuldades no mercado de trabalho muitas vezes podem parecer uma gangorra. Um mês você pode estar pegando um trampo de possíveis três mil reais, mas passar outros 3 meses sem nenhum trabalho... Sem contar o preconceito que ainda existe quanto aos fotógrafos-jornalistas nas favelas, muitos ainda pensam ser mais um Tim Lopes aventureiro que irá fotografar ''coisas que não podem ser mostradas", o preconceito existe mas vem mudando gradativamente.
Desde 2009 faço fotografia, e conheci essa arte mágica junto ao Programa Imagens do Povo que fica no Observatório de favelas na Nova Holanda. Fato esse que mudou minha vida em todos os aspectos e me ensinou a respeitar os seres humanos acima de tudo, uma fotografia respeitosa, generosa e com consciência.
A função da fotografia popular na parte social é como se fosse assim: Para que fazer? Para nada, mas ao mesmo tempo serve para tudo. Ela, lentamente, transforma as pessoas para vida e o mercado de trabalho vira uma conseqüência que para maioria dos fotógrafos populares passa a ser uma das coisas menos relevantes.
Eu, como morador da favela do Jacarezinho desde quando nasci, Tenho o maior orgulho de ser um morador de favela e independente do que as grandes mídias cansam de dizer sobre ela. Nunca tive problemas em fazer fotografia e ser da favela, muito pelo contrário, isso só me ajuda em outras documentações, o dialogo é diferente, as pessoas o reconhecem! Acho que é isso... a fotografia é a escrita de luz. Quero para sempre escrever com luz e poder levar essa arte para os que ainda não conhecem.

Fotografia é colocar na mesma mira de tiro, a cabeça, o olho e o coração" - Henri-Cartier-Bresson." .
                                                                                                  Leonardo Lima

24 de fevereiro de 2011

UPPs: uma mentira

Secretário de segurança pública, José Mariano Beltrame.
No Rio de Janeiro, no atual governo, foi implantado a política das UPPs (Unidades de Polícias Pacificadoras). Essa política consiste na instituição de polícias comunitárias nas favelas do estado, desarticulando quadrilhas e, principalmente, enfraquecendo o tráfico de drogas.

A primeira UPP instalada foi na favela Santa Marta, em novembro de 2008. Em seguida, implantou-se o projeto na Cidade de Deus, no Batan, Pavão Pavãozinho, Morro dos Macacos entre algumas outras. O projeto agradou especialistas e moradores das comunidades pacificadas. 

De qualquer maneira, o que eu falei todos já sabem e o que vim contestar é a forma de como os envolvidos nas operações, o secretário de segurança, o próprio governador Cabral vêm tratando do assunto. Eles nos passam uma visão de que apenas após as polícias pacificadoras começou a ter diversão, felicidade etc. nas favelas pacificadas. Veja algumas declarações dos envolvidos aqui, na informação do concurso de fotografia.

No mesmo concurso de fotografia com apenas imagens de favelas pacificadas, "eles" tentaram dar mais credibilidade ao projeto. Por que só fotos de favelas pacificadas? Por que a maioria dos jurados do concurso não eram profissionais da área do próprio jornal O Globo, a mídia que promoveu o concurso? A maioria dos jurados era ligada ao Sérgio Cabral, como secretário de segurança pública, José Mariano Beltrame, a secretária estadual de esporte e lazer, Márcia Lins, o coordenador-geral de polícia pacificadora, coronel Robson Rodrigues da Silva. Aí é mole!

Uma medida inteligente da parte deles, "usar" os próprios moradores para darem ênfase a uma mentira. Como dizia Hitler, fascista igual aos governos do Rio de Janeiro: "uma mentira gritada muitas vezes, bem alto, ganha na opinião do povo, características de verdade.".

Olhem o que disse a Márcia Lins: "Todos tentaram reproduzir a vida que mudou, mostraram a paz, a beleza natural." Veja também o que disse o próprio coronel: "Antes da pacificação, os meninos não tinham essa liberdade, não podiam subir num muro, por exemplo.". E acrescentou que as fotos capturaram bem a alegria das crianças. 

Ué, antes da pacificação não havia alegria? A única coisa que pode alegar, que também não me convence, é que a qualquer momento as crianças sabiam que poderiam tomar um tiro de bala perdida, ter que fugir porque está acontecendo um tiroteio etc. Em que lugar não é assim? Corremos riscos em qualquer parte desse mundo, principalmente aqui no Brasil e no Rio.

Agora, vejam o que disse o editor de fotografia do O Globo: "O ambiente mudou, as comunidades estão vivendo climas menos tensos. Antes ninguém poderia sair pela rua apontando uma câmera fazendo fotografia. O traficante logo ia aparecer para impedir, intimidar a pessoa.". O que é falso, comprovado, também fotograficamente, no flickr, o qual tem o link disponível no final do texto.

Vejão bem, não estou criticando as UPPs, nem defender ninguém, apenas levantando uma questão, que na verdade, é uma mentira. Antes das UPPs já havia felicidade, alegria como disse o coronel. E o que vai provar isso não são palavras propriamente escritas, mas sim fotos, isso já basta!

Foto de Leonardo Lima!
Essa foto é incrível. Meninas brincando de pular corda na favela do Jacarezinho, no local conhecido como Azul, e pelo o que sabemos, a favela do Jacarezinho ainda não é uma favela pacificada. E o chinelo de uma das meninas jogado enquanto brincam, ou seja, não há aquela preocupação. Estão sendo felizes sem as UPPs.



                                                                                                                        

Foto de Leonardo Lima - Jacarezinho.
Essa, então, é perfeita! Contradiz inteiramente o tal do coronel. Um menino em cima de um muro preparando-se para subir mais alto ainda numa laje para soltar pipa, também no Jacarezinho, favela que não é pacificada.

Não dá para entender o motivo dos senhores tentarem deturpar a verdade. Querem que o pessoal da Zona Sul e de fora do Rio (como diz meu amigo Léo), que não entendem a realidade nua e crua, vejam e fiquem de boquiabertos com o projeto do Cabral: "Olha o que o Cabral e o seu secretário fizeram por aquele povo". Tudo pelo projeto 2014, será que o PMDB fura o olho do PT? Não, né? Fica para 2018, então. Ou visibilidade o suficiente para alcançar um cargo internacional, na ONU, como ele propôs ao ex-presidente Lula no ano passado para buscarem um cargo na tal instituição. O Lula não quis, mas Cabral teve que se contentar com o estado do Rio de Janeiro mesmo.


O povo de bem clama pela Paz. Não importa de onde e como ela venha, o povo quer Paz!

Está provado, então, que é mentira o que tentam nos passar. Não acredite em tudo que dizem. E se tiver argumentos, conteste! Sem pena...

Colaboração fotográfica de Leonardo Lima, veja mais fotos no flickr dele.